quinta-feira, 24 de junho de 2010

O viajante

E ele continuava caminhando, não sabia ao certo o quanto já andara.Suas pernas doíam, seus lábios estavam rachados, clamando por uma gota d' água, coisa que não existia naquele deserto.
Aquelas dunas brancas e aquele céu azul não pareceriam tão mortais em uma fotografia,mera aparência pois naquela paisagem de cartão postal se escondia um verdadeiro inferno na terra.
Mas de repente um cheiro adocicado surge, fascinando-o.Não sabia de onde vinha.Estava confuso, mas gostava e se sentia maravilhado com aquilo.
O perfume ficava cada vez mais intenso, seu coração começou a bater forte, estava ansioso.Eis que ele chega ao cume da duna e avista algo magnífico, um mar de rosas.
Como pode em meio a um deserto?perguntou a si mesmo.Não se conteve,saiu correndo em direção ao mar,não havia mais cansaço ,queria entrar nele,e entrou.Mas sua empolgação logo desapareceu com o surgimento das dores causadas pelos espinhos entrando em sua carne.Aqueles não pareciam ser espinhos comuns e ao seu redor havia milhares deles.Percebeu que já percorrera uma longa distância para dentro do mar de rosas.
O cheiro que antes o encantava agora mais parecia um convite para o seu próprio funeral.Ele não queria padecer ali,o viajante tomou consciência do risco que assumira e agora estava pagando,e pagando alto.
Não podia ficar ali nem mais um minuto e iniciou o seu regresso.Essa era a pior parte pois quando entrou demorou a perceber os espinhos,estava rápido de mais para isso.Agora a cada passo sentia todos os espinhos entrando em sua carne.Ele não tinha escolha pois se ficasse ali iria encontrar um fim trágico.O que motivava o viajante era a possibilidade de encontrar um oásis, quando sair das rosas,onde possa descansar em uma sombra e beber um refrescante gole d'água.
O deserto já não parecia tão ruim assim, lá ao menos ele tinha a esperança de algo melhor,e lutou para voltar ao deserto,lutou bravamente, e a cada passo uma dor e um aprendizado.E finalmente conseguiu, estava a salvo, todo machucado mas vivo.Pois-se de pé, ergueu a cabeça e seguiu em frente.


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